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Sobras. Arqueologia. O sonho da sobra.
Primeira, uma mesa com um papel, uma mesa comprida com um rolo de papel. O público está sentado à volta da mesa. Uma pessoa coloca-se de cócoras ou sentada em cima da mesa.
Tem as narinas pintadas de uma cor forte. Nas mãos e nos pés tem canetas com cores. A expiração traça desenho e inspiração suspende o traço.
As pessoas sentadas à volta da mesa puxam o papel fazendo-o deslizar. Segunda, um saco com objetos soltos todos emaranhados. Despeja-se o saco e inicia-se um jogo de tirar os objetos um a um sem fazer barulho.
Terceira, eu queria fazer um vestido para quedas. Quarta, todos os gestos criados para peças que foram rejeitados. Quinta, a linha que irá eventualmente ser aplicada no meu novo trabalho dos sonhos.
Sexta, autorretratos feitos a pastel, formadores da perceção do meu corpo e da sua forma. Sétima, uma montanha de corações feitos em tecido. Foi substituída com prazer por uma montanha de gengibre e depois por um conjunto de sacos de papel.
Se eu agora trabalhasse com uma montanha de gengibre, que daria? Sempre pensei que tinha de fazer algo muito especial que eu não sei fazer, mas o meu alter ego já é especial. Oitava, um conjunto de legumes. Todos estes trabalham a multifunção.
Nona, um guarda-roupa, escolher uma roupa e habitá-la. Décima, uma dança do princípio do mundo que aconteceu à porta fechada de um estúdio preto enorme para três pessoas assistirem enquanto outras lá fora esperavam a sua vez para ir dançar. Às vezes imagino o meu corpo fazer coisas que são impossíveis ou inconcretizáveis.
Por exemplo, mexer em várias coisas ao mesmo tempo ou dar a ver as minhas narinas mais que o resto da cara.